terça-feira, 27 de setembro de 2011

Qual é o papel dos pais?


Ter um filho significa trocar as fraldas, dar banho, colocar para dormir, ir às reuniões da escola, tirar férias com a família. As primeiras preocupações dos pais giram em torno dos cuidados básicos com as crianças, mas não param por aí.

Os pais hoje em dia estão se envolvendo em questões mais profundas na criação dos seus filhos, como transmitir valores, saber a melhor maneira de educar e encontrar o caminho que una autoridade e carinho. Em meio a tantas mudanças sociais, o homem vem tentando descobrir o que realmente significa ser a referência masculina da casa.

Um papel a ser construído

Depois que as mulheres lutaram pelo direito de trabalhar fora, dividir as tarefas de casa e a criação dos filhos, os homens começaram a procurar um papel diferente do típico chefe de família, desempenhado muitas vezes pelos próprios pais. Antes responsável pelo sustento e pelas ordens, o pai era uma figura mais distante, forte e autoritária, sem se envolver com o cuidado dos filhos, papel designado à mulher.

Com o ingresso feminino no mercado de trabalho, lentamente os pais passaram a se ocupar mais com a casa e com os filhos. E as mudanças que, no começo, foram impostas, hoje já parte da vontade dos papais. Essa nova geração vem reinventando o papel de pai e começa a ser vista com maior frequência nos colégios, nas reuniões escolares, passeando nos parques, chorando de emoção no parto e a cada conquista dos filhos, demonstrando carinho e amor.

Mas não é fácil. São os mesmos homens que aprenderam que chorar, cuidar da casa ou da boneca era “coisa de menina” e que hoje precisam agir com mais sensibilidade com seus filhos. Por outro lado, no trabalho, precisam ser competitivos e fortes.

Otávio Dulci, sociólogo da UFMG e PUC Minas, em Belo Horizonte (MG), analisa: “Quando um homem sai mais cedo para levar a criança ao médico, por exemplo, logo perguntam se ela não tem mãe. O sistema também não permite optar por trabalhar e ganhar menos para se dedicar às crianças”. Isso sem contar a própria lei, que permite poucos dias de licença-paternidade e somente há pouco tempo deu permissão para o pai assistir ao parto.

O pai, ao ser mais afetuoso, torna-se mais humano e acessível, ajudando na construção da identidade da criança, que aprende a não atribuir “isso é coisa de homem” ou “isso é coisa de mulher” para atividades e sentimentos. Além disso, permite que o filho se identifique mais com o pai, que não é visto mais como o adulto distante e autoritário. Assim, os pais seguem descobrindo seu lugar no mundo, mas já com uma certeza: ficar mais perto dos filhos é o caminho certo.

Dicas para os primeiros meses de vida

Durante os primeiros meses de vida do bebê, é comum que o pai se sinta excluído da relação com o filho. Muitos vão encontrar um papel na rotina de mamar e dormir, que parece tão exclusiva da mãe. Nesses casos, é importante que a mãe apóie o pai e dê mais liberdade para que ele participe de cada momento, permitindo que o próprio bebê identifique qual é a figura paterna e qual é a materna.

A participação do pai deve começar ainda na gestação, acompanhando consultas, lendo livros, aprendendo músicas de ninar e conhecendo os médicos que vão cuidar do bebê quando ele nascer. Conversar com o filho, mesmo na barriga, também é uma ótima maneira e criar e fortalecer os laços afetivos.

Assistir ao parto, cortar o cordão umbilical, dar o primeiro banho ainda na maternidade e ser o primeiro a dar um beijo de boas-vindas no filhote são coisas que todo pai pode fazer. Também é importante tirar a licença-paternidade. São apenas 5 dias, mas será um tempo inesquecível para se dedicar exclusivamente ao bebê.

Já em casa, é possível acompanhar a amamentação e ajudar o bebê a arrotar no final. Se encarregar do banho, trocar as fraldas e escolher as roupinhas a serem usadas também são atividades de muita ajuda para a mamãe quanto de aumento da proximidade com o bebê.

Aproveite o sol da manhã para passear com o filhote. Pode ser no colo, no sling ou no carrinho, é o papai que escolhe como prefere. E que tal ninar o filho na hora de dormir e fazer massagens nos momentos de cólica ou inquietação?

São muitos os momentos que podem e devem ser aproveitados pelos pais. Os marinheiros de primeira viagem podem ficar tranquilos, é aos poucos que se vai aprendendo mesmo. Vale pegar dicas com os avôs, participar de fóruns na internet, caprichar na leitura de livros e sempre conversar muito com a mãe do bebê.

É preciso dividir as tarefas

A terapeuta familiar Teresa Bonumá conta: "As famílias estão vivendo uma fase de transição e ensaiando modelos de divisão de tarefas. E neste processo, não há padrões universais, pois cada casal tem uma história, seus valores e suas necessidades”. O que acaba acontecendo é uma evolução lenta das atividades e uma participação coadjuvante do pai.

Quando um casal começa a construir uma família, é importante que o marido participe ativamente de todas as decisões. Contratar uma babá, conhecer diferentes escolas, lembrar das consultas ao pediatra e comprar o presente daquele amiguinho que vai fazer aniversário são tarefas comuns de casais que têm filhos e precisam ser bem divididas.

E qual é a melhor maneira de dividir os papeis? Depende do perfil de cada família. Quando a mãe cuida da casa o dia todo e o pai trabalha fora, ele precisa ter a consciência de que, ao voltar, as brincadeiras com os filhos são apenas uma parte de suas tarefas domésticas.

Vale a pena dedicar algum tempo mesmo que curto a tarefas menos prazerosas, como cobrar a lição de casa e colocar as crianças para dormir. Quando os dois trabalham fora, a dica é a mesma. A diferença é que a mãe precisa compartilhar o tempo com o pai. Nesses casos, os dois podem assumir as tarefas matutinas e noturnas. E as brincadeiras também.

O teste abaixo é para fazer o papai pensar um pouco na sua participação em casa. Seja sincero em suas reflexões e veja se você vem ajudando o quanto poderia.

1. Cortar as unhas (5 pontos)
2. Dar banho (5 pontos)
3. Trocar as fraldas de xixi (5 pontos)
4. Trocar as fraldas de cocô (10 pontos)
5. Escovar os dentes (10 pontos)
6. Preparar o lanche para a escola (5 pontos)
7. Verificar a lancheira na volta para casa (10 pontos)
8. Lavar a louça do jantar (10 pontos)
9. Consertar brinquedos (10 pontos)
10. Instalar a cadeirinha no carro (10 pontos)
11. Preparar a bolsa da criança antes de sair pra passear (10 pontos)
12. Contar historinhas na hora de dormir (10 pontos)
13. Ir a uma festinha mesmo sem conhecer nenhum adulto (20 pontos)
14. Ir a reuniões escolares (10 pontos)
15. Levar ao médico (5 pontos)
16. Levar no parque e ficar brincando junto na gangorra, balanço, tanque de areia (10 pontos)
17. Levar no parque e ficar lendo o jornal (-10 pontos)
18. Organizar e participar de atividades em casa, como ver um DVD e jogar jogos (10 pontos)
19. Cantar para o bebê se acalmar (10 pontos)
20. Acalma a criança numa crise (15 pontos)
21. Recorre à palmada ou ao grito numa crise (-30 pontos)
22. Acorda de madrugada quando seu filho está doente para tirar a temperatura (15 pontos)
23. Num restaurante, monta o prato da criança e a ajuda a comer (15 pontos)
24. Interrompe o que estiver fazendo para levar seu filho ao banheiro (15 pontos)
25. Compra sozinho o presente de aniversário de um amiguinho (10 pontos)
26. Escolhe as distrações infantis durante uma viagem longa de carro (10 pontos)

E então, como foi a pontuação do papai e da mamãe? Esse teste serve como reflexão e primeiro passo para mudanças positivas no que diz respeito à divisão de tarefas e participação ativa na vida dos filhos. Use o resultado a favor da sua família e mãos à obra!


Site Magazine Luiza

Um comentário:

A mãe dos Gêmeos disse...

Eu tenho sorte pq o papai aqui ajuda bastante!!!
Bjos
Ana

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